Domingo , 22 Setembro 2019
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O Centro Comunitário Mãe Carmen, construído pela Prefeitura nas instalações do Ilé Iyá Omi Àse Iyamasé, popularmente conhecido como Terreiro do Gantois, na Federação, será inaugurado nesta sexta-feira (29), às 16h30, dentro da programação de entregas que marcam o aniversário de 470 anos de Salvador.   

A estrutura dará suporte aos projetos sociais que já ocorrem na casa, ampliando o atendimento à população do bairro e localidades adjacentes. O centro comunitário leva o mesmo nome da ialorixá do templo religioso e foi projetado pela Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF). Para as obras, foram investidos R$ 886.308,16. 

A unidade possui um salão com capacidade para 50 pessoas no primeiro andar, uma sala para cursos, uma sala para percussão e leitura e um consultório médico. Conta com divisórias que podem ser instaladas ou removidas conforme a necessidade de ampliação de espaço para eventos. Também foram implantados sistema elétrico, telefônico, de esgoto e águas pluviais, além de equipamentos de segurança contra incêndio e paisagismo. 

História - Os terreiros de candomblé são lugares de transmissão de conhecimentos religiosos, de preservação de memórias ancestrais e das línguas africanas. Um dos mais importantes do país, o Terreiro do Gantois se constituiu ao longo do século como um espaço sagrado de longa expressão religiosa, mantendo os costumes e os legados milenares dos povos Iorubá (Abeokutá). 

O santuário foi fundado em 1849 pela africana Maria Júlia da Conceição Nazareth e preserva o culto aos orixás, seguindo uma tradição matriarcal com base na estrutura familiar de manutenção dos laços parentais - ou seja, é comandado por uma Ialorixá (sacerdotisa), cargo máximo ocupado apenas por mulheres iniciadas e que tenham laços de parentesco com as fundadoras. A escolha da sucessora se dá, após a morte da mãe, por meio de um rito de consulta aos orixás, através do jogo de búzios. 

Já assumiram as ialorixás Maria Júlia da Conceição Nazareth; Pulchéria Maria da Conceição Nazareth, ou Pulchéria de Oxóssi; Maria da Glória Nazareth; Maria Escolástica da Conceição Nazaré, conhecida como Mãe Menininha do Gantois, que presidiu a casa por 60 anos e ganhou reconhecimento e destaque como uma das lideranças religiosas mais importantes do paí;, e Cleusa Millet (filha de Mãe Menininha). A atual sacerdotisa é Carmen Oliveira, a Mãe Carmen do Gantois, que assumiu o trono desde 2002. 

O Terreiro do Gantois ocupa uma área de cerca de 3.600 m², entre a parte cumeada do morro e o vale, e sempre esteve aberta para receber gente de todas as origens e classes sociais. O nome africano da casa (Ilê Axé Iyá Omin Iyamassê) faz alusão a uma divindade feminina, senhora das águas. Já o nome popular refere-se ao antigo proprietário do terreno onde está estabelecido o terreiro, o traficante de escravos belga Édouard Gantois. 

Na parte alta, o templo principal é formado por salão de festas públicas, clausura, cozinha sagrada, sala-refeitório, vestuário e cômodos residenciais. Como anexo ao templo, há o Memorial Mãe Menininha do Gantois, além de santuários de Omolu, Ogum e Exu. Há ainda uma gameleira sagrada associada a Iroko e uma jaqueira sagrada dedicada a Ogum. Na encosta há uma vegetação densa onde há plantas utilizadas nos rituais, um santuário para Oxum, uma fonte e residências de membros da comunidade de culto.  

O terreiro foi reconhecido como Área de Proteção Cultural e Paisagística pela Prefeitura Municipal de Salvador, através da lei nº 3.590 de 16/12/1985, e tombado pelo Iphan como Patrimônio Histórico e Etnográfico do Brasil, via portaria nº 683 de 17/12/2002.

 

 

 

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