Quarta-Feira , 26 Julho 2017

 

Alunos e profissionais da Escola Municipal Pirajá da Silva, no bairro da Liberdade, tiveram uma grata surpresa nos últimos dias. Eles receberam a visita do ex-aluno Valdir Costa e Silva, 62 anos, que presenteou a unidade de ensino com um projetor. Há 25 anos, Costa e Silva é professor de Operações Mineiras, disciplina do curso de Engenharia de Minas, na Universidade Federal de Ouro Preto, em Minas Gerais. Ele, no entanto, nunca esqueceu do bairro onde morou e viveu até a juventude – volta e meia visita a família na Liberdade.

 

Valdir estudou na Pirajá da Silva em 1961, ano em que a escola foi fundada. Ainda se lembra com carinho das primeiras professoras que o ajudaram a construir a sua vida acadêmica. Profissionais que ele descreve como extremamente humanas e preocupadas com o futuro dos alunos. Passados 51 anos, após deixar o antigo Ensino Fundamental, ele se emocionou ao entrar na unidade de ensino novamente. “Quando eu vi aquelas crianças, me vi estudando aqui”, disse.

 

De sala em sala, ele contou a sua experiência aos estudantes atentos. Tendo estudado em escolas públicas ao longo de toda a formação, Costa e Silva já chegou a fazer pós-graduação no Canadá. “Eu não quero ser modelo de nada, quero ser esperança. Por isso, fiz questão de falar com todos os alunos e ressaltei a importância da escola pública como o meio mais democrático de ascensão. Como dizia Paulo Freire, a educação liberta”, pontuou.

 

Em 17 anos de gestão, a diretora da unidade, Daniela de Oliveira, disse nunca ter recebido visita como essa. “Foi algo inusitado e, ao mesmo tempo, importante. Ele (Costa e Silva) se mostrou muito consciente com a necessidade de valorizar a escola pública e de incentivar os alunos a acreditarem em seus sonhos”, afirmou. Segundo a gestora, o projetor doado será muito útil para a lousa interativa, exibição de filmes e apresentações em período de festas e eventos.  

 

Organização – A Escola Municipal Pirajá da Silva atende a 500 alunos, nos turnos matutino, vespertino e noturno, em séries que vão do 6º ao 9º ano (no período diurno) e à Educação de Jovens e Adultos (à noite). O professor universitário e ex-aluno disse ter encontrado a mesma estrutura arquitetônica de antes, mas se surpreendeu com a organização da unidade. “Achei que veria professores desmotivados. Muito pelo contrário, havia profissionais muito interessados. A escola estava arrumada e os alunos, bem vestidos e motivados”.

 

A padronização do uniforme chamou a atenção de Costa e Silva. Segundo ele, na década de 1960, alguns alunos não usavam farda escolar porque os pais não tinham condições financeiras para comprar. "A sala de aula mesclava crianças das classes média alta, média, baixa e extremamente pobres", lembrou.

 

Ele pretende continuar doando equipamentos às escolas onde estudou. “Na próxima visita, pretendo doar um computador. Eu acho esse simbolismo muito importante para mostrar que a responsabilidade do aluno não se encerra com a formação”, finalizou.