Quarta-Feira , 26 Julho 2017

 

O Centro de Controle de Zoonoses de Salvador (CCZ) reuniu 30 agentes, nesta terça-feira (16), para promover ações preventivas no intuito de evitar novos ataques de morcegos aos moradores do bairro do Santo Antônio. O órgão, vinculado à Secretaria Municipal de Saúde (SMS), promoveu uma força-tarefa que fez visitas domiciliares para reforçar a vacinação antirrábica de cães e gatos domésticos e identificar abrigos de morcegos. A ação também envolveu pessoas que, porventura, tenham sido expostas ao risco do ataque do mamífero voador.

 

Entre os profissionais envolvidos estavam biólogos, assistentes sociais, enfermeiros e veterinários. Os bairros da Saúde, Barbalho, Nazaré e Macaúbas serão os próximos a receberem a iniciativa, que também tem caráter educativo e de conscientização. A recomendação para os moradores dessas localidades é que mantenham janelas fechadas durante a noite e façam uso de telas protetoras.

 

De acordo com CCZ, já foram identificadas 17 pessoas mordidas no Santo Antônio. O chefe de Segurança de Vigilância contra Raiva da SMS, Aroldo Carneiro, afirmou que essa quantidade de morcegos está relacionada ao fato de haver muitos casarões abandonados na região. “Por sua vez, a região não tem animais de grande porte, que são fonte de alimentação dos hematófagos. Na falta deles, os morcegos então buscam morder os cães, gatos e humanos”, explicou.

 

Susto – Moradora do bairro há 20 anos, Rosana Maria de Santana disse que se sente apavorada com a situação. “Acredito que (os morcegos) vêm mesmo desses casarões. Acho que isso tenha se intensificado após o desabamento do casarão da Soledade, além do Cine Jandaia, que estão fazendo agora uma revitalização”, afirmou.

 

Depois de ser mordida duas vezes dentro de casa, a auxiliar de educação Rose Fernandes contou que teve a rotina completamente modificada. “Eu estava dormindo quando fui mordida e, inicialmente, achei que fosse algum corte, sei lá. Mas o meu filho também sofreu ataque durante o sono e então procuramos um médico e foi identificado que era um ataque de morcego”. No entanto, o ataque não parou por aí. “Comecei a receber o tratamento e os morcegos retornaram e me morderam novamente. Fica difícil ter noites tranquilas dessa forma. Casa fechada, muitos cobertores e a tensão de que a qualquer hora posso sofrer outro ataque”, desabafou.

 

O que fazer – Em caso de ataques como esse, a população deve imediatamente lavar o local com água e sabão e procurar uma unidade de saúde para fazer a vacinação antirrábica. Qualquer situação suspeita o cidadão pode ligar para o telefone do Centro de Controle de Zoonoses de Salvador no número (71) 3611-7331 ou 7310. O especialista Aroldo Carneiro pede que em nenhuma situação as pessoas tentem matar nem capturar o bicho. “A primeira coisa que deve ser feita é informar ao CCZ para que ele seja recolhido para análise", finalizou.