Terça-Feira , 11 Dezembro 2018
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“Não é fácil viver entre os insanos/Erra, quem presumir que sabe tudo/Se o atalho não soube dos seus danos.” Versos como estes e de outros sonetos de Gregório de Mattos (1636-1696) já chamam a atenção de quem passa pela área externa do teatro que leva o nome do poeta, no Centro. Não é um recital feito por artista de rua ou por um entusiasta da poesia, mas pela estátua falante do próprio “Boca do Inferno”, que foi inaugurada nesta sexta-feira (5) pelo prefeito ACM Neto. A iniciativa é parte da programação especial em homenagem a um dos maiores nomes da Literatura Brasileira e pela passagem dos 30 anos de existência da Fundação Gregório de Mattos.

 

 

Confeccionada em fibra de vidro pelo artista plástico baiano Tati Moreno, a obra possui o tamanho real de Gregório e conta com dispositivo vocal de presença. Ou seja, quem se aproximar da escultura terá a grata surpresa de escutar trechos das poesias de Mattos, declamadas na voz do ator Jackson Costa. Além disso, a localização da obra também dialoga simbolicamente com a estátua de Castro Alves, outro grande poeta baiano, na praça defronte ao TGM.

 

 

“É muito bom podermos resgatar a nossa história, valorizar a nossa cultura e homenagear nossos ícones. Salvador é reconhecida no Brasil e no mundo pela capacidade criativa do povo. Isso não é de hoje, vem há muitos séculos. Homenagear a Gregório é homenagear a todos aqueles que, ao longo da história, contribuíram para reforçar a cultura e para abrilhantar a criatividade que inspira o Brasil e o mundo”, disse ACM Neto, que levou as filhas Lívia e Marcela para conhecer a estátua e a exposição. A programação também conta com o espetáculo teatral “De Boca em Boca”.

 

 

“Há muito tempo a cidade pede essa estátua essa homenagem a Gregório. Nesse momento em que a censura está pairando de novo sobre nossas cabeças, é importante reforçar que a arte é livre. A cultura não pode ter amarras. Trazer Gregório significa o compromisso da Prefeitura com a liberdade”, ponderou o presidente da FGM, Fernando Guerreiro. Ele anunciou que, no final de fevereiro, será lançado um edital que vai premiar várias linguagens que dialoguem com a filosofia de Gregório de Mattos.

 

 

Exposição – Após a inauguração do monumento, foi aberta a exposição GREGÓRIOS, promovida pela FGM para celebrar as três décadas de existência da autarquia. A mostra relembra vida e obra de Gregório de Mattos Guerra, um dos maiores poetas do barroco em Portugal e no Brasil. Ele ficou conhecido como “Boca do Inferno” devido aos poemas satíricos e às críticas a membros da corte portuguesa.

 

 

Ambientada num circuito dinâmico e criativo no interior do TGM, a mostra possui diversas texturas e é composta pela vasta obra creditada a poeta. No local, o público acompanha a atmosfera seiscentista da capital baiana, por via da iluminação, dos sons, de imagens e objetos. A mostra é gratuita e acontece no Teatro Gregório de Mattos até maio, com visitação de quarta a domingo, das 14h às 19h.

 

 

Antes do tour pelo espaço, o historiador Raul Moreira falou aos participantes presentes a importância da exposição. Aproveitou também para dar uma breve aula sobre quem foi Gregório de Mattos e como ele se destacou na literatura. "Gregório era um sujeito amplo. Ele foi o primeiro grande poeta brasileiro, o primeiro a ser reconhecido. Esta exposição é importante porque, além de mostrar a faceta dele, da poesia dele, a gente compreende o que era Salvador naquele período. É uma alegoria ao tempo em que a cidade era de taipa. A Salvador seiscentista era uma pequena cidade de 20 mil habitantes”, explicou.

 

 

O engenheiro civil Hernandes Medrado, 59 anos, saiu de Brotas para prestigiar a exposição: “Tenho curiosidades sobre o poeta e achei o evento interessante. Acho ótima essa inciativa cultural, pois é preciso que se renasçam novos Gregórios nesse país”, pontuou.

 

 

Espetáculo teatral – Na Sala Tabaris do TGM, neste sábado (6) e domingo (7), às 19h, o ator Ricardo Bittencourt e o músico Leonardo Bittencourt sobem ao palco para uma curta temporada do “Boca a Boca: um solo para Gregório”. Em uma narrativa radicalmente contemporânea, o espetáculo traz um recital de poesias do Boca de Brasa em formato de show de rock. Os ingressos custam R$20 e R$10 (meia).

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