Sexta-Feira , 15 Novembro 2019
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Inéditas, obras de requalificação do equipamento são iniciadas pelo prefeito ACM Neto

Foto: Max Haack/Secom

Rodeado por uma densa área de casas e edifícios construídos em decorrência da crescente urbanização de Salvador nos últimos anos, o Jardim Botânico, em São Marcos, é um daqueles espaços da cidade que passa despercebido por muitos soteropolitanos. No entanto, o lugar possui um valor ambiental inestimável para o município, contendo cerca de 61 mil espécimes vegetais em 160 mil metros quadrados de área. Nesta segunda-feira (16), o prefeito ACM Neto assinou ordem de serviço para as obras de requalificação da reserva. 

Inéditas, as intervenções terão duração de 12 meses, permitirão a ampliação da estrutura física atual e, em especial, irão proteger ainda mais o herbário existente no local, que é administrado pela Secretaria de Sustentabilidade, Inovação e Resiliência (Secis).  ACM Neto ressaltou que, com a requalificação, o Jardim Botânico será uma das referências de área verde preservada no Brasil, se juntando a outras estruturas revitalizadas pela Prefeitura, a exemplo do Parque da Cidade, no Itaigara. 

 “Muita gente não sabe, mesmo pessoas que moram em Salvador, que temos um Jardim Botânico numa área de 160 mil metros quadrados, no coração de uma das áreas mais adensadas da cidade, que é essa região entre Pau da Lima e São Marcos. Vamos mudar completamente a infraestrutura desse local, abrindo espaço para que as crianças, jovens, acadêmicos, pesquisadores e pessoas que querem contemplar o verde possam usar cada espaço com segurança e conforto”, disse ACM Neto, que estava ao lado do vice-prefeito Bruno Reis e do titular da Secis, André Fraga, entre outras autoridades. 

Com projeto elaborado pela Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF) e obras coordenadas pela Secretaria de Infraestrutura e Obras Públicas (Seinfra), o Jardim Botânico ganhará novas edificações de caráter científico, voltadas ao estudo, manutenção e conservação da Mata Atlântica, conectados e acessados por uma trilha elevada em um percurso de 795m de extensão pela mata.  

Intervenção - O equipamento ganhará também um edifício principal com área total construída de 2.219,45 m², dividido em dois pavimentos, um subsolo e uma cobertura aberta a visitas. Além da ampliação do herbário, tornando-o um centro de referência na pesquisa da Mata Atlântica com capacidade para acomodar um grande número de espécies catalogadas, o projeto de requalificação do Jardim Botânico de Salvador propõe outras intervenções, a exemplo da construção de um pavilhão de observação da natureza e viveiros. 

O Jardim Botânico ainda terá espaços expositivos digitais voltados à educação ambiental, um auditório para 50 pessoas, que será conectado com um foyer e uma área semi-coberta para atividades em grupo. O investimento é de quase R$ 8 milhões, proveniente de financiamento junto ao Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), através do Programa de Requalificação Urbana de Salvador (Proquali). 

Entorno - O vice-prefeito e titular da Seinfra, Bruno Reis, ressaltou que Salvador tem cumprido uma agenda ambiental, com a reforma de parques urbanos e implantação de outras estruturas do tipo, a exemplo do Parque dos Ventos, na Boca do Rio e do Parque da Pedra de Xangô, em Cajazeiras. Ele ainda destacou um conjunto de obras de infraestrutura que já acontece e que estão programadas para ter início no entorno do Jardim Botânico, trazendo benefícios para a mobilidade e para a população carente.  

“Retornamos com o programa Morar Melhor nessa região da cidade e iniciaremos em breve a requalificação da Via Regional. Também faremos intervenções na Avenida Gal Costa, em Pau da Lima, e na Estrada Velha do Aeroporto. No Centro, no Subúrbio, em Cajazeiras, estamos felizes por estar fazendo obras na cidade toda”, destacou Bruno Reis. 

Etnobotânico - O Jardim Botânico de Salvador é uma das áreas da cidade a abrigar um espaço etnobotânico voltado para proteção e cultivo às espécies utilizadas em cultos afro-brasileiros, além de vegetais ameaçados de extinção. De acordo com o gestor da Secis, André Fraga, o conceito da requalificação de toda a estrutura busca conectar a “relação das pessoas com a vegetação”. 

“É um espaço que fica numa região da cidade que possui poucas opções de área verde, e é também um dos poucos espaços em alto estágio de regeneração da Mata Atlântica em Salvador. Isto é, temos aqui uma mata muito próxima do que era antes da chegada dos portugueses ao Brasil”, explicou. 

Membro do Conselho Municipal da Comunidade Negra (CMCN), Rita Santos contou que a reforma do Jardim Botânico mostra respeito com as religiões afros praticadas da cidade. “Fomos consultados e participamos da elaboração do projeto. Hoje, muitos terreiros de Salvador estão perdendo suas áreas de plantação. Vamos ter nossas plantas todas cultivadas aqui. Os terreiros que quiserem plantar vão poder vir, colher e replantar mudas. A gente hoje compra folhas na feira, mas não sabemos como o vegetal é manuseado lá. Para nós, a retirada das folhas tem todo um significado”, disse.

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