Sexta-Feira , 15 Novembro 2019
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O sonho da sede própria está mais próximo para a Associação de Amigos do Autista da Bahia (AMA) com o início das obras de terraplenagem de um terreno no bairro do Stiep. A área, com mais de 10 mil metros quadrados, foi doada pela Prefeitura de Salvador e as obras estão sendo realizadas pela Superintendência de Conservação e Obras Públicas (Sucop).

 

Atualmente, a associação atende 128 crianças com autismo e tem uma lista de espera de outros 300. "Com a construção de nossa sede, poderemos oferecer mais oportunidade de acompanhamento para as crianças autistas da cidade", desabafa Rita Valéria, presidente da AMA, ressaltando que "só com aluguel, a instituição tem um custo de R$ 1,5 mil, fora a manutenção do prédio alugado".

 

Além do terreno doado, a Prefeitura também é parceira da instituição com a cessão de professores e merenda escolar através da Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer (Secult). Conforme dados da AMA, a estimativa é de que 70 mil pessoas sejam autistas na Bahia. No mundo, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), acredita-se haver mais de 70 milhões de pessoas com autismo. A incidência em meninos é maior, tendo uma relação de quatro meninos para uma menina com autismo.

 

Educação inclusiva - A parceria com a AMA faz parte também do trabalho que a Secult desenvolve em Salvador para inclusão dos alunos com transtornos e deficiências intelectual ou mental. O órgão também oferece oficinas e cursos voltados para o Atendimento Educacional Especializado (AEE), com o apoio de outras instituições conveniadas, como a Associação de pais e amigos com distúrbios de comportamento (Inespi), e os institutos Guanabara, de Organização Neurológica (ION), e Pestalozzi da Bahia.

 

"Estamos com previsão de mais uma turma do curso de formação de professores para atuar com crianças com Transtornos Globais de Desenvolvimento (TGD), com ênfase para crianças com autismo", ressalta Teresa Cristina Sousa, supervisora de educação especial da Secult.

 

Além disso, a Rede Municipal de Ensino conta com salas multifuncionais, onde os professores podem atuar de forma diferenciada no acompanhamento dos alunos que apresentem algum tipo de transtorno ou distúrbio. "Em Salvador, 49 escolas que fazem parte da Rede Municipal foram contempladas com salas multifuncionais, sendo que dez já estão em plena atuação. Nestas salas, são utilizados recursos como computador, jogos, vídeos, desenhos e outros que atuam diretamente no desenvolvimento da criança, diminuindo as dificuldades de interação entre os colegas de sala de aula", completa Tereza Cristina.

 

Um exemplo é a Escola Municipal Casa da Amizade, em Ondina. "Aqui, tomamos o cuidado de interagir com eles e com os outros alunos das salas de aula, para que todos se sintam crianças normais, sem cuidados especiais", diz a psicopedagoga Doralice Almeida, professora da sala de AEE.

 

"Temos encontros com eles em turno oposto ao que estudam, duas vezes na semana, e trabalhamos diretamente com o autismo: seja ela de humor ou de interação com outras crianças. Mas tomamos muito cuidado na hora de apresentar os dois mundos - o real e o que ele vive - para não causar traumas que possam atrapalhar mais ainda o desenvolvimento dele", explica a psicopedagoga.

 

"Quando descobri que meu filho era autista, ele tinha quatro anos de idade. No início, fiquei realmente assustada, porque achei que ele fosse superdotado, já que lia tudo e falava explicadinho, mas quando levei em um especialista, descobri que ele era autista", conta Maria Aparecida Maciel, mãe de Lucas, que também é atendido na Casa da Amizade.

 

Para ela, o melhor foi estudar mais sobre o autismo, para acompanhar de perto o desenvolvimento do filho. "A aceitação foi o ponto principal do tratamento, porque muitos pais preferem ignorar a situação, achando que é mais dengo da criança, o que não é verdade", continua.

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