Terça-Feira , 23 Julho 2019
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A Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria de Cultura e Turismo (Secult) e da Casa Civil, realiza um workshop para discutir o modelo de implantação e gestão do Museu da Música Brasileira, que será implantado no casarão dos azulejos. 

O evento, promovido hoje (18) e amanhã, no auditório do Wish Hotel, no Campo Grande, é uma parceria do Executivo Municipal com o Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), que financia o Programa de Requalificação Urbana de Salvador (Proquali). 

A Prefeitura convocou equipes técnicas da Secult, da Casa Civil, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Urbanismo (Sedur), da Fundação Gregório de Mattos (FGM) e da Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF) para participarem do evento. Para o gestor da Secult, Claudio Tinoco, este é um momento importante no avanço do projeto para o Museu da Música. 

“Nos últimos anos, a Prefeitura inaugurou e reativou muitos espaços culturais, a exemplo dos Fortes Santa Maria e São Diogo, Casa do Benin, Casa do Rio Vermelho, Casa do Carnaval, enfim. Agora, com este Museu também pretendemos inovar de forma sustentável para que este equipamento seja um sucesso”, pontuou Tinoco.

O equipamento, que tem um investimento de US$ 24 milhões, integra o Proquali, coordenado pela Casa Civil e viabilizado com recursos financiados pelo CAF. Para Érico Mendonça, coordenador do Proquali, o encontro vai definir o termo de referência para o concurso internacional de ideias de utilização dos espaços.

“Reunimos nestes dois dias pessoas convidadas pela CAF, com expertise no assunto para que surjam propostas inovadoras para futura contratação de um projeto essencial para o desenvolvimento cultural de Salvador”, afirmou. Para participar do workshop, o CAF convidou especialistas nacionais e internacionais para apresentarem experiências de implantação e gestão de museus contemporâneos.

 “O Programa Cidades com Futuro, o qual Salvador se encaixa com o Proquali, requer um acompanhamento direto sobre os projetos a serem desenvolvidos. Levamos em conta a vinculação do equipamento com o local e com o povo. Queremos que ao término do programa, seja garantida uma visão integral, que contemple também todo o entorno do equipamento”, afirma Emil Rodríguez, especialista em desenvolvimento urbano do Programa Cidades com Futuro, do CAF. Dentro da programação do evento também esteve garantida uma visita técnica ao prédio dos azulejos e ao entorno do futuro equipamento. 

O Projeto – O projeto está inserido em uma das áreas mais emblemáticas de Salvador, segundo o arquiteto Sidney Quintela, e é fundamental para o futuro da cidade  a criação de novos vetores de crescimento e desenvolvimento, como este equipamento. 

“Eu digo que o Forte de São Marcelo é o umbigo da Bahia. E você tem ali o Elevador Lacerda, o Mercado Modelo, o Porto de Salvador, a Rampa do Mercado, o frontispício, a Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, enfim você tem um conjunto de equipamentos públicos, privados e religiosos que fazem daquele pequeno espaço da nossa cidade um lugar muito especial”, declarou Sidney.  

De acordo com o antropólogo Moisés Lino, é interessante que os modelos de implantação e gestão do Museu da Música mesclem a música, enquanto artefato, com os atores responsáveis pela produção dos produtos musicais. 

“O entendimento da música como parte de dinâmicas sociais mais amplas, que incluem diferentes formas de vida, etnicidades, classes sociais,  gostos e realidade econômicas também traduz a riqueza dos artefatos musicais que precisam se relacionar com público enquanto potencialidades para pesquisa, aprendizado, redução das desigualdades e o surgimento de novas criações artísticas”, avaliou Moisés. 

A diretora do Centro de Arte e Criação Matadero, em Madrid (Espanha), Rosa Ferré, afirma que o projeto do Museu da Música deve continuar seguindo uma orientação em consonância com a tendência das políticas internacionais. “É muito importante pensar que um centro de cultura não é apenas um edifício, mas sim uma construção de quem somos. Precisa ser um espaço de oportunidades para se usar e não só um edifício, um lugar de memorial”, analisou. 

Gringo Cardia, curador da Casa do Carnaval, vê o novo equipamento como uma iniciativa fundamental para Salvador. “A música integra a cultura da cidade, tem uma história mobilizante. E este espaço será um lugar de redescobertas, uma atividade totalmente bacana, como já aconteceu em outros lugares, quando a implantação de um museu atrai outras iniciativas”.

 

 

 

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