
Foto: Bruno Concha/ Secom PMS
Texto: Priscila Machado / Secom PMS
Depois de viver cerca de seis anos em situação de rua, Daniel David Rosa dos Santos, de 25 anos, hoje ajuda outras pessoas que enfrentam a mesma realidade. Beneficiário do Programa Vida Nova Empregabilidade, da Prefeitura de Salvador, ele transformou a própria história e, atualmente, atua como educador social em uma Unidade de Acolhimento Institucional (UAI), onde utiliza a experiência de vida para incentivar quem busca um recomeço.
Criado pela Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (Sempre), o Vida Nova Empregabilidade promove a inclusão de pessoas em situação de vulnerabilidade social e em situação de rua por meio da empregabilidade, do suporte à autonomia habitacional e do acompanhamento psicossocial.
Os participantes são encaminhados, inicialmente, para uma vaga de trabalho na própria estrutura da secretaria. Além da inserção em postos formais de trabalho, recebem auxílio-aluguel, auxílio complementar para a compra de móveis e acompanhamento psicossocial.
Atualmente, 40 pessoas estão ativas no programa. Daniel é uma delas. Natural de Salvador e morador de Periperi, ele viveu durante cerca de seis anos nas ruas do Comércio até ser atendido pelo Serviço Especializado em Abordagem Social (Seas) da Prefeitura e encaminhado para a Unidade de Acolhimento Institucional (UAI) de Cajazeiras, serviço e estrutura administrados pela Sempre.
“Eu fui para o abrigo [Unidade de Acolhimento Institucional] e, depois de dois meses, me informaram que eu tinha sido aprovado para a primeira etapa do Vida Nova. Ingressei em novembro do ano passado e atualmente trabalho como educador social na UAI de Pirajá”, conta.
Ele utiliza a própria trajetória como incentivo para outras pessoas que vivem a mesma realidade que enfrentou. “Eu sempre conto a minha história para quem chega, para que eles vejam que também podem sair das ruas. A maioria chega às unidades como eu chegava antes, sem esperança, pensando em pegar o aluguel e ir para a rua novamente. Hoje, eu conto a minha história, digo que tem jeito e tento motivar outras pessoas”, afirma.
Daniel também valoriza cada conquista alcançada: “É bom demais ter a minha casa e as minhas coisas. Eu posso chegar e sair a hora que eu quiser, tenho a minha cama confortável, tenho a minha televisão para assistir a um filme ou a uma novela, tenho uma geladeira para beber a minha água gelada e conservar o meu alimento, tenho o meu fogão para fazer a minha comida e, principalmente, tenho o meu salário, que eu sei que vai cair na minha conta certinho”.
Qualificação – Além do trabalho, o jovem participa das capacitações oferecidas pelo programa, por meio de uma parceria da Sempre com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Emprego e Renda (Semdec), e afirma que os aprendizados vão além da vida profissional.
“Nós aprendemos a fazer currículo, o que escrever, como controlar as nossas finanças, porque antes eu não sabia, pegava o dinheiro e saía gastando. Hoje eu sei como calcular, o que eu posso gastar. É bom porque aprendemos a cuidar da vida”, destaca.
Entre os planos para o futuro estão concluir os estudos, cursar uma graduação em Educação Física e conquistar a primeira moto. “A mensagem que eu deixo para outras pessoas que vivem nas ruas hoje é que nada está perdido. Tudo está nas mãos de Deus e sempre tem que ter esperança e querer, porque sem força de vontade a gente não consegue conquistar nada”, conclui.